O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) acaba de ganhar mais uma função. Permitir o acesso a bolsas de intercâmbio no exterior. Até 2014, setenta e cinco mil estudantes brasileiros poderão ser beneficiados com o intercâmbio, que faz parte do programa Ciência sem Fronteira.
Para participar do projeto, os estudantes devem mostrar bom desempenho acadêmico. E para os alunos de graduação, a nota do Enem será um dos requisitos.
Ciência sem Fronteiras
O programa Ciência sem Fronteiras é um projeto do governo, que prevê a oferta de 75 mil bolsas de estudo no exterior até 2014. Serão 27,1 mil bolsas para alunos de graduação, 24,5 mil para doutorado de um ano, 9,7 mil para doutorado integral e 2,6 mil para pós-doutorado. As outras estão divididas entre o treinamento de especialistas, para jovens cientistas e grandes talentos, e para pesquisadores visitantes no Brasil.
A inscrição para as bolsas deve começar neste ano, mas ainda não há data definida. O processo de seleção será administrado pelo CNPQ.
Sobre o Enem O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma prova unificada que mede a qualidade do ensino no país. A avaliação possui 180 questões distribuídas em quatro áreas específicas: Linguagens, Ciências Humanas, Matemáticas e Ciências da Natureza.
A pontuação do Enem pode ser utilizada como forma de obter o certificado de conclusão do ensino médio - (Para estudantes acima de 18 anos), uma substituição ao Encceja (O Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos).
Como pré-requisito para o FIES - programa governamental de financiamento estudantil.
Para o ProUni - programa Universidade Para Todos (que oferece bolsas de estudo para estudantes de baixa renda) e,
Para o Sisu (Sistema de Seleção Unificada). Através do Sisu, Universidades Públicas de todo o país oferecem vagas para os cursos de graduação.
Experiência é indicada a adolescentes, universitários e adultos
Seja para estudar outro idioma, realizar um curso ou somente trabalhar, existem programas de intercâmbio no exterior apropriados para todos os tipos de interesses, objetivos e idade. Dados da Belta (Brazilian Educational & Language Travel Association), entidade que reúne as principais instituições brasileiras que trabalham nas áreas de cursos, estágios e intercâmbio no exterior, apontam que o número de pessoas interessadas em ter esse tipo de experiência vem aumentando consideravelmente.
Em 2004, a Associação registrou o envio de 42 mil brasileiros para o exterior por meio de intercâmbio. Em 2008, esse número saltou para 120 mil e, no ano passado, 170 mil pessoas deixaram o Brasil rumo a outros países. Para este ano, a expectativa é que o crescimento seja acima de 20%, totalizando 210 mil intercambistas.
Maura Leão, presidente da Belta, considera que um dos motivos para este aumento é que o intercâmbio deixou de ser uma coisa para poucos. “Se você tem esse desejo, tenha foco e planejamento. Hoje em dia, fazer intercâmbio é muito mais fácil do que era antes”, avalia.
Leonardo Gondin, consultor da agência de intercâmbio IE, no Rio de Janeiro, comenta que o intercâmbio é a maneira mais barata e prática de ter uma vivência internacional e aprender outro idioma. “Este é hoje um dos grandes diferenciais no currículo de uma pessoa”, afirma.
Organização O primeiro passo para quem quer fazer intercâmbio é definir qual é o seu objetivo. Para Daniel Sakamoto, diretor da agência Experimento, em Brasília, o ideal é que o interessado procure por uma agência especializada. “A gente faz uma análise do objetivo e perfil do interessado, para determinar o que é mais adequado. Na sequência, será possível indicar um curso, um trabalho, ou ambos em um único programa”, fala Sakamoto.
O diretor afirma que um dos principais questionamentos de quem quer fazer intercâmbio é com relação ao valor.
“Esta é a pergunta que mais me fazem e é também a mais difícil de responder. O preço vai depender do país de destino, tempo de duração e de uma série de fatores”, explica. “De uma forma genérica, posso afirmar que, se o intercâmbio tem um mês de duração, o valor médio será de R$ 10 mil”, revela.
Para Maura, este é o melhor momento para se fazer intercâmbio, devido à desvalorização do dólar em comparação com o real. “O valor do intercâmbio é pago em reais, mas o custo do programa é calculado na moeda estrangeira. Lá fora, o valor é o mesmo, mas aqui dentro parece estar muito mais barato”, fala. “Como o preço do dólar está próximo do valor do real, podemos dizer que quem viajou há três anos pagou mais caro do que quem está viajando agora.
Este é um momento muito favorável para transações financeiras desta natureza”, diz.
Vale lembrar que os valores dos programas de intercâmbio não se modificam devido à alta ou baixa temporada, mas os custos com passagens aéreas, sim. “Além disso, na alta temporada é mais difícil encontrar boas acomodações”, ressalta Sakamoto.
Todas as idades Daniel Sakamoto revela que 80% do público que procura por informações a respeito de intercâmbio têm entre 18 e 25 anos. “Mas temos programas para menores de 18 anos e maiores de 50 anos. Hoje em dia o intercâmbio oferece possibilidades para todos os públicos interessados”, diz.
Maura Leão defende que não há idade certa para fazer intercâmbio. “Profissionalmente, o mercado exige que as pessoas sejam flexíveis. Quando a gente sai da zona de conforto, deixa de falar o português e mergulha em outra cultura, é imposto um desafio bastante saudável, que rende em ótimos resultados”, comenta.
“Sucesso é quando a gente tem as expectativas atendidas”, fala Maura. “As coisas lá fora não são melhores: são apenas diferentes. E você aprende com as diferenças”, conclui.
O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, lançou nesta terça-feira, na reunião plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, em Brasília, o programa "Ciência sem Fronteira", que financiará bolsas de intercâmbio em universidades do exterior,como MIT (sigla em inglês para Instituto de Tecnologia de Massachusetts), Harvard, Berkeley, Stanford e Cambridge.
O governo selecionou 238 universidades internacionais, sendo 64 na área de ciência e saúde, 88 na área de ciências da vida e 86 nas áreas de engenharia e tecnologia. As bolsas de estudo devem atender estudantes da graduação ao pós-doutorado, além de pesquisadores, especialistas e jovens cientistas de grande talento.
As 75 mil bolsas de estudo, em vários níveis, para as áreas de engenharia, tecnologia, matemática, física, química e biologia incluirão passagem aérea, auxílio instalação, auxílio mensal e, em alguns casos, as taxas da universidade estrangeira.
O ministro destacou que também há interesse em dar curso de idiomas aos interessados em estudar em países de interesse do Brasil, como Alemanha e China. "Queremos ter os melhores estudantes do Brasil nas melhores universidades do mundo", resumiu Mercadante.
O programa Denominado "Ciência sem Fronteiras", o programa que dará bolsas de estudo para realizar intercâmbio em universidades estrangeiras é focado na área de exatas, que engloba cursos como o de engenharia, tecnologia, matemática, física, química e biologia.
O governo pretende conceder 75 mil bolsas de estudo, em vários níveis, e, com a participação de empresas, espera poder disponibilizar outras 25 mil bolsas. O orçamento previsto para o programa ultrapassa R$ 3,1 bilhões.
As bolsas incluirão passagem aérea, auxílio instalação, auxílio mensal, seguro saúde e, em alguns casos, as taxas da universidade estrangeira.
Com o dólar em baixa, está mais fácil estudar idiomas e adquirir experiência profissional em outros países. Os destinos mais procurados são Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Austrália. Fred Tiba, diretor da Belta, fala sobre o assunto.
O programa, denominado Ciência Sem Fronteiras, foi anunciado pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, nesta terça-feira (26)
O governo federal irá custear 100 mil bolsas de intercâmbio nas principais universidades do exterior para estudantes desde o nível médio até o pós-doutorado. O programa, denominado Ciência Sem Fronteiras, foi anunciado pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, nesta terça-feira (26).
O objetivo do governo é promover o avanço da ciência, tecnologia e competitividade do Brasil. Além disso, o programa visa aumentar a presença de estudantes e pesquisadores brasileiros em instituições de excelência no mundo, promover maior internacionalização das universidades brasileiras, aumentar o conhecimento inovador do pessoal das indústrias brasileiras e atrair jovens talentos e pesquisadores altamente qualificados para trabalhar no Brasil.
As bolsas serão oferecidas em 238 universidades, em diversas áreas. De acordo com o ministério, dentre as áreas prioritárias do governo, estão Engenharias e demais áreas tecnológicas, Ciências Exatas, Física, Química, Geociências, Biologia, Ciências Biomédicas e da Saúde, Computação e Tecnologias da Informação,Tecnologia Aeroespacial, Fármacos, Produção Agrícola Sustentável, Petróleo, Gás e Carvão Mineral, Energias Renováveis e Tecnologia Mineral.
Modalidades de bolsas Serão custeadas as bolsas para cursos de Graduação, Doutorado e Pós-Doutorado, Estágio Sênior e Treinamento de Especialista de Empresas no Exterior. Além disso, existem bolsas para jovens cientistas e pesquisadores visitantes.
Sobre a bolsa de graduação, o ministério informou que elas são destinadas aos melhores alunos. Os estudantes irão estagiar durante um ano, sendo de seis a nove meses acadêmico e o restante em empresas ou centros de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento). A bolsa inclui passagem aérea, bolsa mensal, seguro-saúde, auxílio-instalação e taxas de uso de infraestrutura.
No caso da bolsa para cientistas, elas serão destinadas a jovens pesquisadores com produção científica ou tecnológica diferenciada, para desenvolver atividades com um grupo de pesquisas no Brasil ou em empresas (com compartilhamento de custos).
Sobre a seleção dos estudantes, a presidente Dilma Rousseff declarou que não será baseada no critério do “quem indica”, mas, sim, no de quem tem mérito. Segundo ela, a distribuição das bolsas levará em conta a representação étnica, social e regional.
“Não estamos fazendo um programa baseado em quem indica. Estamos criando ações orientadas pelo mérito.“Todos [os contemplados] vão ter de ter nota acima de 600 no Enem [Exame Nacional do Ensino Médio] e daremos especial atenção aos alunos ganhadores de olimpíadas, notadamente a da matemática”, disse, segundo a Agência Brasil.
Inovação A partir desta iniciativa, o Brasil pode subir no ranking mundial de inovação. Segundo levantamento realizado pelo The Global Innovationindex 2011, o País ocupa a 47ª posição na lista. Nos primeiros lugares estão Suíça, Suécia e Cingapura.